| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Passeri |
| Parvordem: | Passerida |
| Família: | Icteridae |
| Vigors, 1825 | |
| Subfamília: | Agelaiinae |
| Swainson, 1832 | |
| Espécie: | M. bonariensis |
O chupim é uma ave passeriforme da família Icteridae.
Também conhecido por azulego, maria-preta, chopim, vira-bosta, chupim-vira-bosta, godero, godelo, gaudério, cupido (Maranhão), papa-arroz-escuro (Paraíba), rola-bosta (Espírito Santo), engana-tico, maria-vadia (nordeste do Goiás) e azulão-de-chiqueiro (Bahia e sul do Piauí). Dá nome a uma canção de Renato Teixeira.
Seu nome científico significa: do (grego) Mölos = luta, batalha; e thöskö = impregnar, para o pai; e do (latim) bonara, bonariensis = bom ar, referente à região de Buenos Aires na Argentina. ⇒ (Pássaro de) Buenos Aires que luta pela atenção dos pais. Referência feita à constante luta dos filhotes desta espécie pela alimentação oferecida pelos pais adotivos em detrimento aos irmãos.
Mede cerca entre 17 e 21,5 centímetros de comprimento e pesa entre 44,9 e 63,7 gramas.
O macho adulto é preto-azulado, mas dependendo da iluminação só se enxerga a cor negra. A fêmea é marrom-escura. Pode ser confundido com a passaro-preto (Gnorimopsar chopi), mas este é maior e possui o bico mais alongado, fino e com sulco na maxila inferior. Difere das duas outras espécies do gênero Molothrus, a iraúna-grande (Molothrus oryzivorus) e o chupim-azeviche (Molothrus rufoaxillaris) por ser bem menor que o primeiro e um pouco menor que o segundo, que além disso também apresenta a parte inferior das asas mais clara e uma mancha avermelhada na base inferior das asas.
Possui sete subespécies reconhecidas:
(IOC World Bird List 2017; Aves Brasil CBRO 2015).
O leucismo (do grego λευκοσ, leucos, branco) é uma particularidade genética devida a um gene recessivo, que confere a cor branca a animais geralmente escuros.
Mais informações sobre as mutações que afetam a plumagem das aves podem ser encontradas no link abaixo:
As mutações que acometem as aves.
Possui uma dieta onívora, alimentando-se principalmente de insetos e sementes, mas ocasionalmente come frutos e flores. Costuma frequentar comedouros com sementes e quirera de milho. Também pode se alimentar de carrapatos em capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris).
O período entre julho e dezembro marca o início da reprodução, mas é após o acasalamento que se inicia a fase pela qual a espécie é mais conhecida. Esta espécie não constrói ninho e a fêmea põe 4 ou 5 ovos por postura, sendo um no ninho de cada hospedeiro. Porém, em ninhos de sabiá-do-campo (Mimus saturninus) e joão-de-barro (Furnarius rufus), já foram encontrados 35 e 14 ovos de chupim, respectivamente. Para chegar ao ninho hospedeiro, segue os futuros “pais adotivos”. Os ovos são de colorido uniforme e com a casca sem brilho, branco-esverdeados, vermelho-claros ou verdes, ou ainda com manchas e pintas, conforme a região geográfica. O tico-tico (Zonotrichia capensis) é muito parasitado e a adaptação vantajosa para o chupim é a postura de seu ovo antes, ou no mesmo dia, daquela do primeiro ovo do hospedeiro. Como o período de incubação do vira-bosta é de 11 ou 12 dias, um a menos do que o do tico-tico, seu filhote, que é bem maior, nasce antes. Desta forma, o filhote do chupim pode eliminar do ninho seus companheiros tico-ticos ou receber mais alimento, tendo maior probabilidade de sobrevivência. Quando abandona o ninho, o filhote chupim é alimentado pelos pais adotivos por 15 dias, solicitando alimento no bico através de um chamado característico, abaixando o corpo e tremulando as asas. Também pode colocar seus ovos em ninhos de galinhas domésticas, como a garnisé.
Mais informações sobre nidoparasitimo das aves podem ser encontradas no link abaixo:
O comportamento das aves.
| Icteridae | ||
|---|---|---|
| Thraupidae | |||
|---|---|---|---|
| Turdidae | |
|---|---|
| Tyrannidae | ||
|---|---|---|
Habita paisagens abertas como campos, pastos, parques e jardins.
Entre junho e setembro é muito gregário, concentrando-se em pousos noturnos comunitários ou buscando alimentos em gramados e áreas campestres com capim baixo. Nessas concentrações, é possível observar os machos ameaçando-se mutuamente com seu característico comportamento de apontar o bico para cima e caminhar em direção ao oponente com as penas brilhando ao sol.
Na região da caatinga realiza pequenas migrações locais, sempre em busca de áreas verdes e com água.
O hábito de fuçar nas fezes do gado à procura de sementes mal digeridas lhe conferiu seu nome popular vira-bosta. Segue o gado para capturar os insetos por ele deslocados. Aprende a comer em comedouros artificiais de aves, a catar migalhas em locais públicos e a seguir arados para capturar minhocas e outros pequenos animais. É considerado uma praga agrícola, especialmente em arrozais do sul do país. O macho se exibe para a fêmea com voos curtos nos quais canta sem parar, arrepia suas penas e bate as asas semiabertas, e também com apresentações que envolvem eriçar as penas, balançando-as rapidamente e vocalizar. Sua vocalização atinge frequências inaudíveis para os seres humanos. Na serra gaúcha, migra de meados de fevereiro a meados de setembro.
Ocorre em todo o Brasil e América do sul, menos na cordilheira dos Andes.
Consulta bibliográfica sobre as subespécies: